domingo, 22 de agosto de 2010
Tudo perdeu o gosto
A música que ouvia há alguns meses não faz mais o menor sentido. São duas horas da manhã de uma madrugada cinza. Vejo vultos nos corredores. Carros apressados que não partem ou chegam a lugar nenhum. Uma dose ordinária de álcool vulgar para não me lembrar a dor que não me esquece. Peito aberto e ardendo; o frio é intenso, a magoa, fatal. Estou preste a cair do décimo andar. A queda é longa; a dor surda, inevitável. Imagino meu corpo estirado entre os transeuntes em suas pressas rotineiras. Penso em te ligar. Desisto no segundo seguinte. Sinto a ferrugem que alimenta a solidão a engasgar a garganta rouca de palavras insólitas. Sua voz ecoa em minha cabeça, dizendo que eu preciso de um banho e uma noite de sono. Enquanto a cidade devora as almas em cicatrizes escondidas nas confusões urbanas, estou à beira de um abismo prestes a despencar. Desabar ou deixar-se cair é só mais um passo. Vou quebrar os móveis, destruir a casa, acordar os vizinhos, discar seu número e falar que preciso dormir em seus braços. Depois, despedir-me da vida e deixar que um transe profundo me leve de volta ao começo. Bem vinda ao paraíso!
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